Sob o sol rachante, voltando do serviço, eu presenciei uma cena que me encheu a boca de profundo riso.
Era uma mulher moto taxista, que a um jovem negro devolvia o troco da corrida.
Ele era forte e da cabeça dreads caía.
Evento natural do dia a dia, alguém que trabalha e o outro que a um lugar ía.
Mas para mim, algo beirando o sublime, que de aplausos no mínimo merecia.
Pé subindo à calçada. Pé querendo correr para conhecer aquelas vidas.
O dinheiro contado pela luva rasgada.
O dinheiro suado que alimentava a casa.
Eles não me perceberam?
Nem imaginavam que proporcionavam alegria...
Será que já tinham sido vítimas de alguma hipocrisia?
Ou da luta com o desprezo conheciam desde o raiar do dia?
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